Onde estão os corvos de Lisboa?
Onde estão os que eu via saltitar no passeio,
junto à tasca do Sr. Hipólito, na Mouraria,
onde os homens se iam embebedar à tarde,
depois de saírem do trabalho?
Onde estão os corvos que subiam os degraus da Sé
e comiam pedacinhos de pão atirados pelas beatas,
pelo coxo que pedia esmola e pelo cura?
Onde estão os corvos que eu via na margem do Tejo,
em despique com as gaivotas e os pombos?
Onde estão?
Onde estão os corvos de Lisboa?
Agora só os encontro no brasão da cidade,
em bonecos nas lojas de souvenirs
e nos postais ilustrados,
sob o som monótono do rodado dos tróleis dos turistas.
Que São Vicente os proteja e os traga de novo,
os corvos de Lisboa.
Do livro "Poemas para a hora de Ponta", ed. Cordel de Prata, Lisboa, 2019
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Autor:
Joaquim Saial (
Offline) - Publicado: 21 de março de 2026 15:48
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 7
- Em coleções: Lisboa.

Offline)
Comentários2
Os corvos de Lisboa estão reunidos com os corvos de outros países. Boa noite poeta. Lindo poema.
Muito obrigado pela leitura e comentário.
Eita, boa pergunta e eu que achava que esses corvos USA os bicos para matar tantos civis inocentes, em nome de suas mentiras.
De Boa, que os PARDAIS que vieram por cá, não enriqueceram uranio com seus bicos e demoraram tanto tempo por comerciar as terras raras.
Presado Mestre poeta, se os encontrarem, corra o mais depressa para um abrigo, ou quem sabe para uma adega, pois os corvos modernos só viajam de DRONE, ávidos por sangue.
Prazer.
Apegaua.
Obrigado pela leitura e comentário.
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