SEPULCRO CAIADO

Carlos Lucena

SEPULCRO CAIADO

Olho - te profundamente
E vejo apenas teu esqueleto
E uma dor insistente
Toma-me o peito.

Nem ao menos um choro, 
um sorriso, um grito
Tira-te  a obstrução 
E como surdez muda do infinito
Nenhum vivente te faz aclamaç?o.

Tão pobre e tão despida 
Sem os anéis 
e os colares de antigamente
Parece sem rumo
A navegar na vida
Sem um porto 
que a receba alegremente.

Vejo-te desnuda e profanada
Pela insanidade voraz de teu algoz
Tal qual donzela de púbis violada
Tirando tua força 
e também calando tua voz!

Contemplo agora 
não mais tua beleza
Mas sim
os teus escombros camuflados
Como que esconde 
sob um véu a incerteza
Porém, inescrupulosos os vereditos já foram dados!

Choro sobre ti 
e sobre teus restos
Mas daqui de fora admirado
Imagino se foi Deus 
ou os arquitetos
Que deu arte ao Sepulcro Caiado!

  • Autor: Carlos (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 21 de março de 2026 00:37
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3


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