SEPULCRO CAIADO
Olho - te profundamente
E vejo apenas teu esqueleto
E uma dor insistente
Toma-me o peito.
Nem ao menos um choro,
um sorriso, um grito
Tira-te a obstrução
E como surdez muda do infinito
Nenhum vivente te faz aclamaç?o.
Tão pobre e tão despida
Sem os anéis
e os colares de antigamente
Parece sem rumo
A navegar na vida
Sem um porto
que a receba alegremente.
Vejo-te desnuda e profanada
Pela insanidade voraz de teu algoz
Tal qual donzela de púbis violada
Tirando tua força
e também calando tua voz!
Contemplo agora
não mais tua beleza
Mas sim
os teus escombros camuflados
Como que esconde
sob um véu a incerteza
Porém, inescrupulosos os vereditos já foram dados!
Choro sobre ti
e sobre teus restos
Mas daqui de fora admirado
Imagino se foi Deus
ou os arquitetos
Que deu arte ao Sepulcro Caiado!