Florescer e Apodrecer

CoucherduSoleil

No jardim do meu silêncio;

Nasceu uma flor;

Era tão bela que o próprio vento;

Parava tranquilo ao seu redor.

 

Reguei com seu nome as pétalas do meu amor;

Esperando que um dia florescessem para mim;

Mas vi seus olhos seguirem outro Sol;

Como girassóis que nunca olham o jardim.

 

Vestida como um lírio-do-campo;

Eras a mais bela em toda a imensidão;

Me conquistou com seu encanto;

E fez brotar uma rosa no meu coração.

 

E quem diria que ocorreria assim?

A rosa para outro floresceu e deixou os espinhos pra mim;

Tal qual adalia negra anunciou meu fim;

Quem diria que amar seria tão ruim?

 

Oh, rosa de ti há milhões e ao mesmo tempo;

És única no mundo inteiro;

Resolvi cultivar em mau momento;

Mas sem você, minha violeta, tudo se tornou imperfeito.

 

Eu já estava pronto para o silêncio romper;

Um buquê de tulipas na mão quando eu ia te dizer;

Mostrou-me uma foto dele, e então pude entender;

Que o sorriso que ele te trás eu não posso prover.

 

Te entreguei um cravo vermelho;

Recebi de volta um amarelo;

Disse que seu desejo é tê-lo;

E de longe vejo: seu amor é tão belo.

 

Quis plantar margaridas num cemitério;

E é claro que não consegui firmar raiz;

Esse jardim já é fúnebre e nisso não há mistério;

Mas que direito tenho eu de ser infeliz?

 

Você é como a dama-da-noite;

Floresceu uma única vez para mim;

Cultivei raízes tão fortes em ti;

Que, de repente, fugistes no fim.

 

E ainda hoje, no jardim onde tudo começou;

Continuo, nos cantos procurando você;

Pois desde que você me deixou;

Tenho tentado não apodrecer.

  • Autor: CoucherduSoleil (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 20 de março de 2026 18:18
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3


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