No jardim do meu silêncio;
Nasceu uma flor;
Era tão bela que o próprio vento;
Parava tranquilo ao seu redor.
Reguei com seu nome as pétalas do meu amor;
Esperando que um dia florescessem para mim;
Mas vi seus olhos seguirem outro Sol;
Como girassóis que nunca olham o jardim.
Vestida como um lírio-do-campo;
Eras a mais bela em toda a imensidão;
Me conquistou com seu encanto;
E fez brotar uma rosa no meu coração.
E quem diria que ocorreria assim?
A rosa para outro floresceu e deixou os espinhos pra mim;
Tal qual adalia negra anunciou meu fim;
Quem diria que amar seria tão ruim?
Oh, rosa de ti há milhões e ao mesmo tempo;
És única no mundo inteiro;
Resolvi cultivar em mau momento;
Mas sem você, minha violeta, tudo se tornou imperfeito.
Eu já estava pronto para o silêncio romper;
Um buquê de tulipas na mão quando eu ia te dizer;
Mostrou-me uma foto dele, e então pude entender;
Que o sorriso que ele te trás eu não posso prover.
Te entreguei um cravo vermelho;
Recebi de volta um amarelo;
Disse que seu desejo é tê-lo;
E de longe vejo: seu amor é tão belo.
Quis plantar margaridas num cemitério;
E é claro que não consegui firmar raiz;
Esse jardim já é fúnebre e nisso não há mistério;
Mas que direito tenho eu de ser infeliz?
Você é como a dama-da-noite;
Floresceu uma única vez para mim;
Cultivei raízes tão fortes em ti;
Que, de repente, fugistes no fim.
E ainda hoje, no jardim onde tudo começou;
Continuo, nos cantos procurando você;
Pois desde que você me deixou;
Tenho tentado não apodrecer.