Acesso

Noétrico

Senti.
Pulsava,
rubro
e sem ritmo.

Sem medo
ou fraqueza,
apenas cansaço
do mesmo de tantos.
Ruídos.

A mudança do real não atinge —
ergue um muro invisível
entre o dito
e o que de fato é.

Eu apenas aceito
o espaço construído.

Não me escondo.
Posso estar do lado
e ainda ausente.

Minha presença exige chão firme.
Onde há tijolos falsos,
não piso.
As paredes não fluem,
desandam,
desabam.

Não corto laços,
corto acessos,
crio paredes sólidas.
Barreiras limitam excessos.

O outro continua existindo,
eu continuo inteiro.
O mundo que partilhávamos
não existirá mais.
Sigo fluido.

  • Autor: Noétrico (Offline Offline)
  • Publicado: 20 de março de 2026 09:26
  • Comentário do autor sobre o poema: É sobre perceber quando algo deixa de ser verdadeiro entre duas pessoas. Não é briga nem fuga — é só entender que já não dá pra pisar no mesmo chão. O outro continua, eu também. Mas o que existia entre ambos não se sustenta mais. É o tipo de coisas que considero "óbvios que precisam ser ditos".
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 5


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