O Peregrino anônimo

O processo alquímico da existência

Mais um dia se passa e,

Com ele carrego as minhas mágoas

Minhas dores e todas as decepções

Como um soldado em guerra

Aguento as feridas e cicatrizes. 

Lembro de quem me machucou

Lembro de quem se foi

Lembro de quem não me despedi

Lembro de quem me amava e não vi. 

Meu coração rasgado 

Me leva ao passado 

Com o passado sei quem sou,

Ou pensava que sabia,

E vi que não era muita coisa. 

A minha história, pobre história

Não passa de uma folha em branco

Não tive muitos amores,

Não tive muitas paixões,

Não fui amado,

Também não amei. 

Como um culpado 

Que busca se justificar pelo crime

Eu inventi desculpas,

Disse que era novo para amar

Depois o tempo passou 

A idade chegou,

Não vi nada mudar. 

Ainda sou jovem,

Mas me sinto tão velho por dentro,

Como uma espada atravessada

A minha alma vive um novo processo

Ela busca se entender,

Saber quem é

Saber o que quer,

Ser o que procura ser

Ser única e se realizar. 

Talvez seja meu idealismo

Talvez seja o meu realismo

Talvez seja a síntese da totalidade

Dentro de mim. 

Todavia, vou tateando,

Tateando na existência 

Em busca de algo que não sei

Mas sei que existe,

Sei que é real

Mas não sei o que é.

E como um peregrino,

Vou caminhando 

Nessa missão que não tem nome,

Sou o espião do anonimato,

Aquele que tinha tudo para ser,

Mas não foi. 

Aquele que era bom,

Mas não tanto. 

Então, sigo a minha sina,

Ser alguém que não sei o que é,

Mas só sei que serei

Quando esse dia chegar

Compreenderei perfeitamente 

Todas as coisas,

A existência,Deus, o mundo

Saberei os mistérios dos arcanos

Saberei a assinatura da criação,

Então, eu e todas as coisas,

Passaremos por um processo,

O processo alquímico da existência

A transmutação do ser,

A transformação da criação

O encontro entre o Divino e o homem,

A mudança do metal para o ouro. 

 



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