A arte nem sempre é linda
Às vezes nasce ferida
É um grito preso na garganta
Tentando provar que ainda existe vida
Queria saber desenhar rostos perfeitos
Linhas suaves, beleza sem dor
Mas os rostos que nascem da minha mão
Carregam a verdade:
Olhos cansados, silêncio e horror
Talvez a beleza esteja nisso
Na dor que insiste em falar
Na expressão torta de quem vive
Mesmo quando só quer parar
Rezo a Deus em noites vazias
Sussurros que o teto ouviu:
“Se um dia quiser me levar,
talvez eu já esteja pronta,
talvez eu já tenha desistido de existir no mundo que me feriu.”
Mas me pergunto:
Será errado dizer?
Não romantizo a queda
Só estou tentando sobreviver.
Estou cansada, tão cansada
Com pensamentos como lâminas na mão
Mas ainda estou aqui contando a história
Como quem deixa acesa
Uma última vela na escuridão
Hoje, a hora eu nem sei
A solidão me encontrou primeiro
E no silêncio da casa vazia
A vontade de morrer
Sentou ao meu lado no banheiro
Pensei na água da banheira
Naquelas cenas frias de filme antigo
Onde a dor vira silêncio
E ninguém pergunta mais nada comigo
Quis chorar
Ou talvez não quis
Às vezes nem sei o que sinto
Só sei que a mente faz labirintos
Onde me perco dentro de mim
Mas então um piano tocou
Notas lentas, quase oração
E por um instante a morte
Perdeu espaço
Para a criação
Escrevi
Desenhei
Respirei o ar pesado do meu próprio pensamento
E percebi algo estranho
Quase um pequeno entendimento:
Cada pessoa carrega um mundo
Uma mente inteira pra sustentar
E ninguém além de quem sente
Sabe exatamente
O peso de continuar.
Hoje eu quis morrer
Sim, isso é verdade
Mas também escrevi essas palavras
Como quem deixa marcas na realidade
Porque quem sente
É a gente
E isso
Nem a dor
Nem o mundo
Nem o silêncio
Podem tirar.
— Naiumi
São Paulo, 15 de março de 2026
© Todos os direitos reservados.
-
Autor:
Naiumi (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 18 de março de 2026 19:10
- Comentário do autor sobre o poema: Escrevi este poema em um momento de exaustão emocional, quando os pensamentos se tornaram difíceis de sustentar em silêncio. Ele não nasce de romantização, mas de um confronto direto com a dor e com a própria existência. A arte, aqui, não é estética, é sobrevivência. Entre pensamentos escuros e pequenos instantes de respiro, encontrei na escrita uma forma de permanecer. Talvez seja isso que esse poema carrega: não a beleza, mas a permanência.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 19
- Usuários favoritos deste poema: Sinvaldo de Souza Gino, Rogério
- Em coleções: Fragmentos de Existir.

Offline)
Comentários2
Parabéns, mesmo em meio a agitação do cotidiano e a exaustão você trouxe um realismo da atualidade, vivemos em contexto de pura exaustão, cansaço, depressão e a ansiedade se torna comum! Ou seja, a sociedade está doecendo!!!
Muito obrigada pelo seu comentário! Quis refletir essa parte da realidade mesmo, e é ótimo que fui capaz de me expressar bem. 🙂
Obrigado, parabéns.... Os comentários ajudam muito a refletir sobre as produções, valeu amigo poeta!!!
Pura verdade!
Agradeço pelo seu comentário!
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.