O vagante

Francisco Queiroz

Andar sem destino, apenas instinto
catando sombras e latas;
colhendo sentidos, todos, até o da fome
ouvindo os murmúrios dos passantes.

O banco de concreto, frio ou quente,
abriga o corpo, sem preferências;
a fadiga faz dos braços travesseiro.

Ser camuflado, quase sempre,
paisagem que, quando se revela,
vai da náusea à piedade:
um espelho empoeirado.

O vagante, como se proclama,
diz ter fugido do cálculo,
de qualquer engenharia. 

O sorriso vem fácil 
sem qualquer embriaguez.
Lúcido de sua condição,
diz não haver culpados.

De mãos anônimas recebe
e agradece o pão, a sopa;
a fome se vai em silêncio.

Segue sem mal algum,
em suas vestes não tem bolsos;
apenas um pequeno bilhete no boné,
de saudade e incompreensão...
  • Autor: Francisco Queiroz (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 18 de março de 2026 09:31
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 1
  • Em coleções: Urbano.


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.