Eram cinco homens,
à volta da mesa redonda,
na cabina de uma traineira,
a comer peixe frito
e a beber vinho tinto.
Quando a traineira se virou,
passaram a ser cinco náufragos
e, em minutos, cinco mortos.
Lá longe, na vila da margem,
brotaram nessa hora cinco viúvas,
para além de uns quantos órfãos.
Organizou-se um funeral
e houve cinco enterros.
Na semana seguinte,
o armador colocou no jornal um anúncio:
"Empresa de Pesca de Barlavento
contrata cinco pescadores."
Do livro "Poemas para a hora de Ponta", ed. Cordel de Prata, Lisboa, 2019
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Autor:
Joaquim Saial (
Offline) - Publicado: 17 de março de 2026 13:53
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3
- Em coleções: Mar.

Offline)
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