Eram cinco homens,
à volta da mesa redonda,
na cabina de uma traineira,
a comer peixe frito
e a beber vinho tinto.
Quando a traineira se virou,
passaram a ser cinco náufragos
e, em minutos, cinco mortos.
Lá longe, na vila da margem,
brotaram nessa hora cinco viúvas,
para além de uns quantos órfãos.
Organizou-se um funeral
e houve cinco enterros.
Na semana seguinte,
o armador colocou no jornal um anúncio:
\"Empresa de Pesca de Barlavento
contrata cinco pescadores.\"
Do livro \"Poemas para a hora de Ponta\", ed. Cordel de Prata, Lisboa, 2019