Panos e Danos

Francisco Queiroz

É preciso, tenho que habitar o mundo.
Me trancaram no quarto aos fundos.
De lá vejo a luz de um sol multicolorido,
e todos os dias são esticados, doloridos...
 
Do vitral o mundo é disforme:
há corvos, carros, nada é uniforme.
Sair? Difícil! Paredes me mantêm.
A liberdade vem sempre com um porém...
 
É preciso, tenho que habitar o mundo.
Mas, pensando bem:
 
Estou nu! Todos estão.
A fantasia são os panos!
Deuses! Quantos danos...
 
O mundo quer os fantasiados.
Então, nu, jamais poderei habitá-lo...
Devo me vestir, onde estão os trapos?
 
A realidade é buraco profundo,
e eu, e eu, e eu, sou o eco aos fundos...
Espreitando a luz pelas frestas do mundo.
  • Autor: Francisco Queiroz (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 16 de março de 2026 09:52
  • Categoria: Surrealista
  • Visualizações: 2


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