Caminho pela cidade.
Janelas acesas —
outras afundadas
no silêncio das salas.
Alguém atravessa a rua vazia,
outro espera
o semáforo piscando
na paciência da noite.
Nos passos apressados
quantos carregam
o peso do dia.
Num banco da praça
uma jovem se senta.
Chove.
Abre o guarda-chuva —
não é da chuva
que se protege.
Há uma tristeza fina
caindo por dentro.
Da bolsa
tira um livro.
Abre.
Fecha.
Entre o livro
e o guarda-chuva
hesita.
A cidade segue.
E numa janela apagada
talvez alguém
também agora
aprenda
a difícil arte
de acender
ou apagar
a própria janela.
-
Autor:
Oswaldo Jesus Motta (
Offline) - Publicado: 14 de março de 2026 00:12
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 4

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.