O Ritual das Sombras e do Mel

Versos Discretos

Sob o clarão súbito entre carícias lentas,
Vi o signo do fado: a mão voraz que te habita.
Quantas batalhas cedidas nesta seda revolta,
Tão próximo ao empíreo, tão distante de mim.

As mãos em desatino, no limiar da luxúria,
Imprimiam em teu busto uma exótica semântica.
Teu dorso, em arco, buscava a fímbria das nuvens,
Enquanto o seio rebelde acolhia o invasor.

Havia um latejar frenético em tua fonte sagrada,
Qual turbilhão que exaure e tudo consome;
Tal qual o plantígrado que, em bosque florido,
Extrai o néctar âmbar que lhe aplaca o delírio.

Ela desvenda a ele seus labirintos mais arcanos,
As pregas de veludo que eu anseio tatear.
Ele, de bom grado, abdica da razão nesses vales,
Para colher, enfim, a consagração dos deuses.

Indômita e bravia, a nudez a deslumbra,
E o calor do colo ainda lhe atiça os sentidos.
Todavia, a efemeridade do gozo é um enigma;
Ele se alonga, vertendo ósculos pelo marfim do pescoço.

E urge que se inicie a investida final,
Pois a fera exaurida já não busca o espasmo.
Mas seus dedos, doutos na arte da vênus, devolvem o brio,
Alcançando, por fim, o ápice da bem-aventurança.

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Comentários3

  • Apegaua

    Presado Mestre poeta.
    Voz juro que por ter sido atropelado, na frase que o Mestre diz.
    O SEIO REBELDE ACOLHIA O INVASOR.
    Foi uma briga tremenda de eu e alma, na escolha de mudar a palavra rebelde.
    Sugestões não faltaram.
    Entumecido, inchado, acolhedor e por ai foi.
    Tive que gritar, para ver quem mandava no pedaço.
    Mas com todo imprevisto, a obra ficou magnifica, parabéns.
    Apégaua

  • Arthur Santos

    Claro que chega sempre o momento da... investida final... Muito bom!

  • Vilma Oliveira

    Boa noite poeta! Você foge do óbvio ao usar termos como: fímbria, arcanos, plantígrado e ósculos. Isso cria uma distância estética que transforma a cena em algo quase artístico, como uma pintura clássica. A relação é descrita como uma batalha (vitorias cedidas, invasor, investida final), mas uma batalha onde a entrega é o prêmio. O corpo feminino é um território geográfico sagrado (labirintos, vales, fonte sagrada). A Metáfora do Plantígrado: É uma imagem curiosa e forte. Comparar o amante a um urso (plantígrado) que busca o mel (néctar âmbar) traz um elemento de instinto animal que contrasta com a semântica e a razão mencionadas anteriormente. O gozo não é apenas físico, é a consagração dos deuses e a bem-aventurança. O poema sugere que, através da arte da vênus (o sexo), o ser humano consegue tocar o empíreo (o céu), ainda que de forma efêmera. É uma composição que foca na estética do prazer, tratando a luxúria com uma reverência quase religiosa. Parabéns por seu belíssimo poema! Abraço poético.

    • Versos Discretos

      Obrigado pela bela análise. Ao escrever algo assim é sempre uma preocupação deixar envolvente e excitante mas ao mesmo tempo não ser pornográfico.



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