Sob o clarão súbito entre carícias lentas,
Vi o signo do fado: a mão voraz que te habita.
Quantas batalhas cedidas nesta seda revolta,
Tão próximo ao empíreo, tão distante de mim.
As mãos em desatino, no limiar da luxúria,
Imprimiam em teu busto uma exótica semântica.
Teu dorso, em arco, buscava a fímbria das nuvens,
Enquanto o seio rebelde acolhia o invasor.
Havia um latejar frenético em tua fonte sagrada,
Qual turbilhão que exaure e tudo consome;
Tal qual o plantígrado que, em bosque florido,
Extrai o néctar âmbar que lhe aplaca o delírio.
Ela desvenda a ele seus labirintos mais arcanos,
As pregas de veludo que eu anseio tatear.
Ele, de bom grado, abdica da razão nesses vales,
Para colher, enfim, a consagração dos deuses.
Indômita e bravia, a nudez a deslumbra,
E o calor do colo ainda lhe atiça os sentidos.
Todavia, a efemeridade do gozo é um enigma;
Ele se alonga, vertendo ósculos pelo marfim do pescoço.
E urge que se inicie a investida final,
Pois a fera exaurida já não busca o espasmo.
Mas seus dedos, doutos na arte da vênus, devolvem o brio,
Alcançando, por fim, o ápice da bem-aventurança.