CREPÚSCULO DA VIDA

Fábio Brendon

A chama que outrora ardia, tão forte,

Agora vacila, num suspiro de morte.

O tempo, implacável, desenha seu fim,

E a vida se curva ao eterno jardim.

 

As cores vibrantes desbotam no céu,

O riso se apaga, ecoando ao léu.

O que antes pulsava, com ânsia e vigor,

Hoje se esconde no véu do torpor.

 

As trilhas percorridas, memórias no vento,

Fragmentos de glórias, tristeza e alento.

O ciclo se fecha como um livro lido,

Cada página vira o sentido perdido.

 

Mas há na penumbra um leve calor,

Vestígios de sonhos, resquícios de amor.

Pois mesmo que a chama desista de arder,

É na escuridão que a alma vai ver:

 

Que o fim é apenas começo velado,

Um passo no eterno, um sonho acordado.

A vida termina, mas nunca em vão,

Renasce em silêncio, na luz da imensidão.

 

  • Autor: Brendon Leão (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 13 de março de 2026 07:20
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 14
Comentários +

Comentários3

  • jroberto.bsb

  • jroberto.bsb

    Parabéns pelo belíssimo poema.

  • Vilma Oliveira

    Olá poeta! Boa noite! O autor usa o fogo como símbolo da vitalidade. O vacilo e o suspiro de morte não são vistos como tragédia pura, mas como um processo natural de desgaste (o tempo, implacável). A imagem do livro lido onde cada página vira o sentido perdido, sugere que a vida só ganha uma interpretação completa quando chega ao fim. É uma visão de que a existência é uma narrativa com começo, meio e conclusão. O ponto de virada ocorre no final: É na escuridão que a alma vai ver. O autor propõe que o fim da vida biológica não é o vazio, mas uma mudança de estado — um começo velado. O uso de rimas ricas e termos como: eterno jardim, torpor e imensidão, confere ao texto um ar de serenidade e aceitação diante da morte. Meu abraço poético.



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