A chama que outrora ardia, tão forte,
Agora vacila, num suspiro de morte.
O tempo, implacável, desenha seu fim,
E a vida se curva ao eterno jardim.
As cores vibrantes desbotam no céu,
O riso se apaga, ecoando ao léu.
O que antes pulsava, com ânsia e vigor,
Hoje se esconde no véu do torpor.
As trilhas percorridas, memórias no vento,
Fragmentos de glórias, tristeza e alento.
O ciclo se fecha como um livro lido,
Cada página vira o sentido perdido.
Mas há na penumbra um leve calor,
Vestígios de sonhos, resquícios de amor.
Pois mesmo que a chama desista de arder,
É na escuridão que a alma vai ver:
Que o fim é apenas começo velado,
Um passo no eterno, um sonho acordado.
A vida termina, mas nunca em vão,
Renasce em silêncio, na luz da imensidão.
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Autor:
Brendon Leão (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 13 de março de 2026 07:20
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 14

Offline)
Comentários3
Parabéns pelo belíssimo poema.
Obrigado, tudo de bom!
Olá poeta! Boa noite! O autor usa o fogo como símbolo da vitalidade. O vacilo e o suspiro de morte não são vistos como tragédia pura, mas como um processo natural de desgaste (o tempo, implacável). A imagem do livro lido onde cada página vira o sentido perdido, sugere que a vida só ganha uma interpretação completa quando chega ao fim. É uma visão de que a existência é uma narrativa com começo, meio e conclusão. O ponto de virada ocorre no final: É na escuridão que a alma vai ver. O autor propõe que o fim da vida biológica não é o vazio, mas uma mudança de estado — um começo velado. O uso de rimas ricas e termos como: eterno jardim, torpor e imensidão, confere ao texto um ar de serenidade e aceitação diante da morte. Meu abraço poético.
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