Eu que fingia neutralidade
enquanto teus cachos desciam livres
sobre o pescoço que eu imaginava
sob minhas mãos.
O mesmo eu
que antes suportava tua passagem
como quem suporta um abalo sísmico —
agora já não suporta.
Salivo pelo sal da tua pele
como quem reconhece território
sem jamais ter tocado.
Teu pescoço —
é ali que meu pensamento começa a falhar.
Ali onde a respiração encontra a pele,
onde o perfume se faz morada.
Eu mergulhava nos teus olhos
em busca de permissão,
mas hoje mergulho
em busca de perdição.
Porque o sentimento contido
apodrece quando não respira.
E o que era silêncio
agora pulsa.
Desejo teu corpo
com a mesma intensidade
com que antes escondia meu afeto.
Nas tardes em que te observava
já não era só cuidado —
era fome.
Era imaginação desobediente.
Era a vontade de desfazer
cada botão que me impedia de existir.
Mas não é a mim teu caminho.
Não é a mim tua entrega.
E é justamente isso
que transforma ternura em incêndio.
Eu queria um pouco mais —
não só do teu jeito,
não só da tua mania,
mas do calor que existe
entre o que quase acontece
e o que jamais acontecerá.
Meu Deus…
como eu queria.
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Autor:
L Lacerda (
Offline) - Publicado: 11 de março de 2026 10:17
- Categoria: Erótico
- Visualizações: 5
- Usuários favoritos deste poema: Versos Discretos, Arthur Santos
- Em coleções: Tudo o Que Não Devíamos.

Offline)
Comentários1
Belo e sauve poema erótico (digo eu) 🙂
Já agora.. se queres vai mesmo acontecer, cedo ou tarde 🙂
Arthur Santos, uma honra ter sua atenção.
Por favor, veja os outros da mesma coleção.
Claro que vou ver. Gosto da sua poesia.
Fico muito realizado meu amigo.
Abraços
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