NO INTERIOR VELOZ DOS SEGUNDOS

joaquim cesario de mello

 

No frenesi dos segundos

Os dias parecem modorrentos

Como um tedioso domingo de verão

 

Pelos dias passam milhares de segundos

E todo agora é urgente e premente

Que se não fosse ele fotografado

No súbito instantâneo da brecha

Do invisível tempo passageiro

Quase nada dele nos sobraria

A se guardar no baú oxidado

Não tão fundo das lembranças

 

No andar das horas e dos minutos

Nada é ágil, veloz e ligeiro

Como são os segundos

Em cujas texturas impalpáveis

de nós continuamente se despedem

Sem nenhum adeus ou acenar de mão  

 

Quantos segundos ainda habitam

No calendário da vida que ainda temos

Antes do derradeiro segundo

Que haverá de nos levar para sempre?

 

Se realmente soubéssemos

Que o existir é um prolongado segundo

Camuflado de datas e relógios

Talvez corrêssemos menos

Pois por mais que nos apressemos

Nunca e ninguém ganhou do tempo

E dos afiados dentes dos seus segundos

 

  • Autor: joaquim cesario de mello (Offline Offline)
  • Publicado: 9 de março de 2026 17:27
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5
Comentários +

Comentários1

  • Vilma Oliveira

    Boa noite poeta! Você contrapõe a lentidão do domingo de verão com a urgência do agora. Enquanto o dia parece arrastado, o segundo é a unidade onde a vida realmente escapa. A Fotografia do Instante: A ideia de que o tempo só sobra se for fotografado na brecha sugere que a consciência é a única forma de salvar a existência do esquecimento (o baú oxidado). Os segundos são descritos com texturas impalpáveis e partem sem acenar de mão. É uma personificação do tempo como algo que nos abandona constantemente, sem despedidas. O texto desmascara a contagem de anos e meses como uma camuflagem. No fundo, a vida é apenas um prolongado segundo que se fecha no impacto do derradeiro. O desfecho é uma lição de finitude: correr é inútil contra os afiados dentes do tempo. Ninguém vence o cronômetro. É uma escrita que evoca uma melancolia existencial, mas que serve como um convite à presença. Meus parabéns por seu poema! Abraço poético.



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