No frenesi dos segundos
Os dias parecem modorrentos
Como um tedioso domingo de verão
Pelos dias passam milhares de segundos
E todo agora é urgente e premente
Que se não fosse ele fotografado
No súbito instantâneo da brecha
Do invisível tempo passageiro
Quase nada dele nos sobraria
A se guardar no baú oxidado
Não tão fundo das lembranças
No andar das horas e dos minutos
Nada é ágil, veloz e ligeiro
Como são os segundos
Em cujas texturas impalpáveis
de nós continuamente se despedem
Sem nenhum adeus ou acenar de mão
Quantos segundos ainda habitam
No calendário da vida que ainda temos
Antes do derradeiro segundo
Que haverá de nos levar para sempre?
Se realmente soubéssemos
Que o existir é um prolongado segundo
Camuflado de datas e relógios
Talvez corrêssemos menos
Pois por mais que nos apressemos
Nunca e ninguém ganhou do tempo
E dos afiados dentes dos seus segundos