joaquim cesario de mello

NO INTERIOR VELOZ DOS SEGUNDOS

 

No frenesi dos segundos

Os dias parecem modorrentos

Como um tedioso domingo de verão

 

Pelos dias passam milhares de segundos

E todo agora é urgente e premente

Que se não fosse ele fotografado

No súbito instantâneo da brecha

Do invisível tempo passageiro

Quase nada dele nos sobraria

A se guardar no baú oxidado

Não tão fundo das lembranças

 

No andar das horas e dos minutos

Nada é ágil, veloz e ligeiro

Como são os segundos

Em cujas texturas impalpáveis

de nós continuamente se despedem

Sem nenhum adeus ou acenar de mão  

 

Quantos segundos ainda habitam

No calendário da vida que ainda temos

Antes do derradeiro segundo

Que haverá de nos levar para sempre?

 

Se realmente soubéssemos

Que o existir é um prolongado segundo

Camuflado de datas e relógios

Talvez corrêssemos menos

Pois por mais que nos apressemos

Nunca e ninguém ganhou do tempo

E dos afiados dentes dos seus segundos