O Poeta não é garçom

Sinvaldo de Souza Gino

O Poeta não é garçom 

Me cobram palavras de aplicativo, gíria fresca, hashtag, verbo novo como se poema fosse bula de remédio e não água tirada no balde roto. Ou as vezes julgam ser de "IA" pelo o uso de palavras em desuso!

Mas eu sou do tempo em que besta era burro, em que cântara pesava a tarde, e não peço licença ao dicionário pra beber no poço que a infância guarda.  

Cada poeta tem sua tona,

um traz a rua, outro traz o avô,  

um lambe asfalto, outro lambe o musgo da pedra onde a avó lavou lençol.  

Criticar quem usa palavra antiga é como zombar do rio porque corre com nome de índio e curva de barro, como querer que o sino toque funk.  

Poesia não é vitrine de loja,  

não precisa caber no Instagram.  

Ela é caco, é cântico, é cisco

às vezes usa “escudeiro”, às vezes “crush”, e tá tudo certo se vier de dentro.  

Então me deixem no meu brocal,  

com apoupas, alforjes, trasgos na fala:  

quem não sabe ler o poço fundo  

chama de “erro” o que é marca d’água.  

  • Autor: GINO (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 9 de março de 2026 06:05
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.