O silêncio e as perguntas sem resposta deixadas por quem parte inesperadamente.

MAISA NALAPE

Há partidas que chegam devagar,

anunciadas pela dor,

pelos dias que se despedem pouco a pouco,

pelos olhares que já sabem.

 

E há outras…

que rasgam o silêncio da vida

sem aviso.

 

Aquela partida silenciosa e repentina

não bate à porta,

não pede licença,

não deixa tempo ao coração para entender.

 

Chega como um sopro

que apaga uma luz

no meio da noite.

 

E quem fica

fica perdido entre perguntas,

procurando sinais

onde nunca houve pistas.

 

Porque na luta contra a doença

há despedidas sussurradas,

há mãos que se apertam pela última vez,

há lágrimas que já sabem o que vem.

 

Mas na partida silenciosa

não houve gritos.

Não houve sinais.

Não houve tempo.

 

Nenhuma despedida.

 

Apenas um silêncio pesado

que cai sobre os dias

como um céu sem estrelas.

 

E nesse silêncio

ecoam os "porquês"

que ninguém consegue responder.

 

Ficam as memórias suspensas,

os gestos simples,

as palavras que ficaram por dizer.

 

Porque quem parte assim

leva consigo o som da própria voz,

mas deixa em nós

um vazio que o tempo

nunca aprende totalmente a preencher.

 

E no meio desse vazio

resta apenas o amor,

teimoso e eterno,

 

a lembrar-nos

que algumas presenças

continuam a viver

mesmo depois do silêncio.

  • Autor: MAISA NALAPE (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 7 de março de 2026 13:43
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4
  • Em coleções: Maisa Nalape.


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.