A unha risca o reboco
só para sentir o cálcio
sob o verniz da mão.
Não há contrato.
Há o quartzo,
o lodo,
o resto de café que esfria
e vira um espelho escuro
onde o rosto não se reconhece,
apenas se aceita.
O mundo não é poeira.
É gordura.
É o que sobra quando o significado
desiste de explicar o peso.
Não quero o ar limpo.
Quero o engasgo,
a falha no motor,
o dente que morde o lábio
até o ferro do sangue
interromper o pensamento.
O silêncio não é abrigo.
É um buraco na parede
por onde passa o cheiro
de quem não pediu para ficar.
Vendi as portas.
Agora o que entra,
mora no vão.
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Autor:
Noétrico (
Offline) - Publicado: 6 de março de 2026 08:59
- Comentário do autor sobre o poema: Pega um contraponto, nem tudo faz sentido... Nada externo está de fato sobre controle, nada precisa realmente fazer sentido. Tem vezes que viver é só isso: respirar no meio do peso e continuar, um curto corte não nos matará. Precisamos sentir o que realmente está ali, presente.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 9

Offline)
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