No começo vieram as desculpas,
doces como chuva leve no verão.
Palavras macias, promessas frágeis,
a pedir abrigo no meu perdão.
Eu quis acreditar no arrependimento,
quis pensar que o erro era só um desvio.
Mas o tempo mostrou, em silêncio lento,
que as palavras eram apenas vazio.
Porque quem sente culpa muda o caminho,
mesmo que tropece, tenta não ferir.
Mas quem repete a mesma ferida
talvez só tenha medo de te ver partir.
E então percebi, tarde mas claro:
nem todo “desculpa” nasce do coração.
Às vezes é só um disfarce frágil
para manter aberta a mesma ilusão.
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Autor:
MAISA NALAPE (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 5 de março de 2026 07:20
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 30
- Usuários favoritos deste poema: Arthur Santos
- Em coleções: Maisa Nalape.

Offline)
Comentários2
Boa noite poetisa! Este poema é uma reflexão lúcida sobre a diferença entre remorso e manipulação. A Falsidade da Retórica: O autor contrasta a doçura das palavras macias com a vacuidade das ações. A metáfora da chuva leve no verão ilustra algo que refresca momentaneamente, mas não muda a estrutura do solo. O texto define o perdão não como um ato isolado, mas como um processo de observação. O silêncio lento do tempo é o que desmascara a repetição do erro, transformando o desvio em padrão. A percepção mais aguda está na terceira estrofe: o pedido de desculpas recorrente não busca a reparação, mas evita a perda do controle. É uma desculpa estratégica, usada apenas para sustentar uma ilusão. É um poema de autoafirmação e despertamento, que marca o fim da ingenuidade em favor da clareza emocional. Parabéns por seu poema! Meu abraço poético.
Boa Tarde, Vilma! Muito obrigada pela leitura tão sensível e profunda do meu poema. Fiquei muito tocada com a forma como interpretou cada nuance do texto. É gratificante quando a poesia encontra alguém que a lê com tanta atenção e reflexão. O seu olhar acrescentou ainda mais significado às palavras que escrevi. Receba também o meu abraço poético e minha gratidão pela presença.
Raramente o arrependimento é verdadeiro.
Muitas vezes é uma forma de continuar tudo na mesma...
Gosto do poema.
É uma observação muito interessante. A ideia sugere que nem todo arrependimento representa uma verdadeira mudança. Muitas vezes, a pessoa diz que está arrependida, mas isso serve mais para aliviar a consciência ou para parecer que reconhece o erro, sem que haja uma transformação real nas atitudes.
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