MAISA NALAPE

arrependimento falso

No começo vieram as desculpas,

doces como chuva leve no verão.

Palavras macias, promessas frágeis,

a pedir abrigo no meu perdão.

 

Eu quis acreditar no arrependimento,

quis pensar que o erro era só um desvio.

Mas o tempo mostrou, em silêncio lento,

que as palavras eram apenas vazio.

 

Porque quem sente culpa muda o caminho,

mesmo que tropece, tenta não ferir.

Mas quem repete a mesma ferida

talvez só tenha medo de te ver partir.

 

E então percebi, tarde mas claro:

nem todo “desculpa” nasce do coração.

Às vezes é só um disfarce frágil

para manter aberta a mesma ilusão.