A MORADIA DO AMOR

Sezar Kosta

O amor não é vento que passa —

é casa escolhida em terreno de incertezas.

 

Não nasce pronto:

ergue-se em tijolos de conversa,

amassa-se no barro das diferenças,

seca ao sol paciente dos dias comuns.

 

Há quem pense que amar é tempestade,

mas eu aprendi

que é telhado firme

enquanto a chuva insiste.

 

Amar é varrer o orgulho da sala,

abrir janelas quando o silêncio pesa,

trocar lâmpadas queimadas

antes que a sombra se acostume.

 

É acender o fogão do afeto

mesmo nas manhãs frias,

é deixar o pão do cuidado crescer

no tempo certo da espera.

 

A morada do amor

não se herda —

escolhe-se,

todos os dias.

 

E quando o vento muda de direção,

não fugimos:

reorganizamos os móveis da alma,

pintamos de novo as paredes do medo,

plantamos jardim na varanda da esperança.

 

Porque amar, enfim,

é decidir ficar —

e transformar abrigo em lar.

  • Autor: Sezar Kosta (Offline Offline)
  • Publicado: 4 de março de 2026 21:40
  • Comentário do autor sobre o poema: Amar não é algo que simplesmente acontece; é uma escolha diária de construir juntos, mesmo quando tudo ao redor parece incerto. O relacionamento cresce nas conversas, nas diferenças e na paciência silenciosa dos dias comuns. Mais do que intensidade passageira, amar é cuidar dos pequenos desgastes: abrir espaço para o diálogo, consertar o que se quebra e manter o calor do afeto aceso. No fim, é permanecer e reinventar o que existe, transformando um abrigo frágil em um lugar onde ambos escolhem ficar.
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 1
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  • Em coleções: Meus Poemas de Amor.


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