O amor não é vento que passa —
é casa escolhida em terreno de incertezas.
Não nasce pronto:
ergue-se em tijolos de conversa,
amassa-se no barro das diferenças,
seca ao sol paciente dos dias comuns.
Há quem pense que amar é tempestade,
mas eu aprendi
que é telhado firme
enquanto a chuva insiste.
Amar é varrer o orgulho da sala,
abrir janelas quando o silêncio pesa,
trocar lâmpadas queimadas
antes que a sombra se acostume.
É acender o fogão do afeto
mesmo nas manhãs frias,
é deixar o pão do cuidado crescer
no tempo certo da espera.
A morada do amor
não se herda —
escolhe-se,
todos os dias.
E quando o vento muda de direção,
não fugimos:
reorganizamos os móveis da alma,
pintamos de novo as paredes do medo,
plantamos jardim na varanda da esperança.
Porque amar, enfim,
é decidir ficar —
e transformar abrigo em lar.