Quando a Neblina Dissipa

Jairo Cícero

 
 
 
 
Há névoa nos olhos, um véu na visão, 
Quando a alma se entrega à pura ilusão. 
Figuras se erguem, perfeitas e belas, 
Desenhadas no espelho dos nossos anseios.
 
 
A fé que se doa, o voto sincero, 
Constrói castelos num mundo etéreo. 
Mas o tempo, que tudo revela e desfaz, 
Começa a mover a cortina da paz.
 
 
Então, lentamente, a máscara cai, 
O brilho se apaga, a verdade sobressai. 
A imagem que amamos desvenda um porvir, 
Nem sempre tão puro, nem sempre a sorrir.
 
 
A dor da surpresa, o amargo sabor, 
De um "fui usado" que causa pavor. 
O peito se aperta, a lágrima rola, 
Mas a força interna, em nós, se consola.
 
 
Não cabe a tristeza que cega o olhar, 
Nem o papel da vítima a se lamentar. 
É hora de aprimorar o que se quer ver, 
Separar o joio, aprender a crer.
 
 
Acreditar no que a essência mostrar, 
No grão verdadeiro que o vento não leva. 
Para além da fumaça, da sombra e do ar, 
Um novo caminho a consciência eleva.
 
 
 
  • Autor: Jairo Cícero (Offline Offline)
  • Publicado: 2 de março de 2026 11:55
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 1


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