Há névoa nos olhos, um véu na visão, Quando a alma se entrega à pura ilusão. Figuras se erguem, perfeitas e belas, Desenhadas no espelho dos nossos anseios.
A fé que se doa, o voto sincero, Constrói castelos num mundo etéreo. Mas o tempo, que tudo revela e desfaz, Começa a mover a cortina da paz.
Então, lentamente, a máscara cai, O brilho se apaga, a verdade sobressai. A imagem que amamos desvenda um porvir, Nem sempre tão puro, nem sempre a sorrir.
A dor da surpresa, o amargo sabor, De um \"fui usado\" que causa pavor. O peito se aperta, a lágrima rola, Mas a força interna, em nós, se consola.
Não cabe a tristeza que cega o olhar, Nem o papel da vítima a se lamentar. É hora de aprimorar o que se quer ver, Separar o joio, aprender a crer.
Acreditar no que a essência mostrar, No grão verdadeiro que o vento não leva. Para além da fumaça, da sombra e do ar, Um novo caminho a consciência eleva.