Geração de Pedra

MAISA NALAPE

Sentados na porta, cobertos de pano,

ouvíamos histórias que vinham do rádio.

Noite adentro, passos de dança e riso,

um mundo simples, feito de encanto e improviso.

 

Pagávamos para ver a magia do cinema,

corríamos à casa vizinha para atender o telefone.

Voz do pai longe, em Portugal,

cassete gravada, devolvida com saudade e afeição.

 

A escola era livro, caderno e caneta,

sem luzes de ecrãs, sem atalhos de internet.

Faltas eram sentidas, colegas vinham buscar,

errar trazia medo, mas o respeito era lei a ensinar.

 

Palmatória se outro acertava a pergunta que erramos,

aprendíamos cedo o valor da disciplina e da vida.

Respeito aos mais velhos, à comunidade, à palavra,

era a pedra que nos formava, sólida e silenciosa.

 

Hoje corremos em mundos digitais,

mas aquele tempo vive em nós,

em histórias contadas,

em memórias que jamais se apagam.

  • Autor: MAISA NALAPE (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 1 de março de 2026 17:38
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2
  • Em coleções: Maisa Nalape.


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