Sentados na porta, cobertos de pano,
ouvíamos histórias que vinham do rádio.
Noite adentro, passos de dança e riso,
um mundo simples, feito de encanto e improviso.
Pagávamos para ver a magia do cinema,
corríamos à casa vizinha para atender o telefone.
Voz do pai longe, em Portugal,
cassete gravada, devolvida com saudade e afeição.
A escola era livro, caderno e caneta,
sem luzes de ecrãs, sem atalhos de internet.
Faltas eram sentidas, colegas vinham buscar,
errar trazia medo, mas o respeito era lei a ensinar.
Palmatória se outro acertava a pergunta que erramos,
aprendíamos cedo o valor da disciplina e da vida.
Respeito aos mais velhos, à comunidade, à palavra,
era a pedra que nos formava, sólida e silenciosa.
Hoje corremos em mundos digitais,
mas aquele tempo vive em nós,
em histórias contadas,
em memórias que jamais se apagam.