Puro amor

Isabela Fenix

Buscava um laço, um íntegro elemento,

Um simples par, um único e puro amor.

Mas este mundo imerso em vil labor

Só me entrega o cansaço e o tormento.

 

É o peso do metal, do movimento,

Do ouro frio que apaga o meu valor.

Recuso o pranto e abraço o meu torpor,

No vácuo atroz de um falso esquecimento.

 

Já não pertenço ao chão onde caminham,

Sou feita apenas de uma antiga dor

Que as engrenagens deste século aninham.

 

A que abismo o meu passo se lançou?

Onde as mãos do destino me definham,

Minha alma, enfim, se aniquilou.

  • Autor: Fenix (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 1 de março de 2026 15:24
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 6
  • Usuários favoritos deste poema: Vilma Oliveira
Comentários +

Comentários3

  • Sergio Neves

    SERGIO NEVES - ...eita! ...e não é que os Céus mostram convergências inexplicáveis? ...entrei agora por aqui e encontro, de cara, um escrito teu bem fresquinho -o que é o destino! ...o título? ... "Puro Amor" ...,...Isabela Fenix, aquela que é friamente "analitica" por essência, falando sobre purezas do amor...,...será? ...bom, vou ficar sabendo dessa quase que "incoerência" depois que eu ler mais amiúde...,...agora não...,...vou almoçar -o meu estômago está a exigir...mas, volto... /// Carinhos famintos a ti.

    • Isabela Fenix

      Hummmm até! Irei almoçar também. É....o tédio faz coisas. 🙂

    • Vilma Oliveira

      Boa noite poetisa! Meus parabéns por seu belíssimo soneto!
      Este soneto é um retrato melancólico da alienação do indivíduo diante da modernidade industrial e materialista. A busca inicial pelo puro amor é esmagada pelo peso do metal e pelo ouro frio, sugerindo que os valores humanos foram substituídos pela frieza das engrenagens do século.
      A estrutura clássica do soneto contrasta com a sensação de aniquilação da alma, culminando em um desfecho de profundo vazio existencial. É uma crítica poderosa a um mundo onde o vil labor consome a essência do ser, restando apenas uma antiga dor e o isolamento. Meu abraço poético.

      • Isabela Fenix

        Obrigada pelas belas palavras. Abraços! 😉

      • Sergio Neves

        SERGIO NEVES - ...minha mui querida Isabel(a)...,...o teu lado poético aqui se mostra "com a corda toda"! ...o que é que não faz um "puro amor", né? ...derramaste nesses teus versos toda a enorme paixão que está a te envolver, com uma emoção bem evidente (...é como eu venho insistindo,...estás apaixonada, sim...)...,...e poesia é assim,...quanto mais o espírito emotivo está, mais poético fica... // ...e não fiques assim tão "desesperada", não...,...só de tu entender esse amor como sendo puro é, de certa forma, "alvissareiro"...,...quem sabe? ..."o amor tem razões que a própria razão desconhece"... // ...embora haja "desgostosidades" mil nessas tuas linhas, gostei bastante dessa tua literatura... // (...eita que hoje eu "falei" mais "sério"...- se bem que, em verdade, "sério" eu sempre fui...-não rias...) /// Carinhos a ti, menina(-mulher) puramente apaixonada.

        • Isabela Fenix

          Obrigada pelas belas palavras.
          PS. É apenas mais um escrito meu. Escrevo assim desde pequena. Eu só posso ter nascido apaixonada. Não sou de me iludir. Aprenda a separar o autor da obra. Nem tudo é vivido, é apenas sentido. Tchau! 🙂



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