Buscava um laço, um íntegro elemento,
Um simples par, um único e puro amor.
Mas este mundo imerso em vil labor
Só me entrega o cansaço e o tormento.
É o peso do metal, do movimento,
Do ouro frio que apaga o meu valor.
Recuso o pranto e abraço o meu torpor,
No vácuo atroz de um falso esquecimento.
Já não pertenço ao chão onde caminham,
Sou feita apenas de uma antiga dor
Que as engrenagens deste século aninham.
A que abismo o meu passo se lançou?
Onde as mãos do destino me definham,
Minha alma, enfim, se aniquilou.