No meio do pó da obra
e do cheiro de cimento quente,
havia um reino escondido.
Quando os homens iam almoçar
e o silêncio pousava sobre os tijolos,
eu e os meninos do bairro
invadíamos o nosso paraíso:
um tanque de lata
transbordando céu.
A água guardava o sol,
tremia dourada,
e nós mergulhávamos
como quem descobre o mar
pela primeira vez.
Risos espirravam mais alto que a água,
os pés batiam no fundo metálico,
o mundo era pequeno —
cabia inteiro
dentro daquele tanque.
Saíamos encharcados de luz,
a pele arrepiada,
o coração incendiado
de uma felicidade simples
que não sabia o nome
da palavra medo.
Ser criança
é morar por um instante
onde o tempo não manda,
onde a alegria é gratuita
e a memória nunca evapora.
O tanque era de lata —
mas para nós
era infinito.
-
Autor:
MAISA NALAPE (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 28 de fevereiro de 2026 16:24
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 30
- Usuários favoritos deste poema: Sinvaldo de Souza Gino, Arthur Santos
- Em coleções: Maisa Nalape.

Offline)
Comentários2
Olá poetisa! Boa noite! Seu poema é um reflexo do nosso
cotidiano que se expressa através da profundidade oculta
dos seus versos. Meus parabéns! Abraço fraterno.
Ola poetisa! Muito obrigada pelas palavras tão generosas e pelo carinho.
Fico imensamente feliz em saber que o poema tocou seu coração.
Receba meu abraço fraterno e minha gratidão!
O tempo de criança é um tempo belo que fica para sempre marcado nas nossas vidas.
Imagens poéticas muito fortes e visuais.
Lembranças boas de infância permanece em mim.
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.