Meu estômago não sente fome e nem falta.
Ele desaprendeu o horário das refeições
porque vive obedecendo o relógio apressado da ansiedade.
É estranho como a ansiedade não grita —
ela sussurra por dentro,
aperta devagar,
cansa sem que a gente tenha corrido.
Ela senta no peito,
bagunça o ar,
embaralha os pensamentos
e deixa o corpo inteiro em estado de alerta,
como se algo estivesse prestes a acontecer
— mesmo quando nada acontece.
Meu estômago fecha as portas.
Não quer comida.
Não quer conversa.
Não quer mais nada além de silêncio.
E o silêncio também pesa.
A ansiedade é essa visita que não avisa que vai embora.
Ela seca a boca,
tira o sono,
faz o coração bater como se estivesse fugindo
de um perigo invisível.
E a gente vai ficando exausta
sem ter levantado peso algum.
O corpo começa a falar o que a boca cala:
dor de cabeça,
tontura,
fraqueza,
um cansaço que não se cura com uma noite de sono.
Meu estômago não sente fome e nem falta,
mas sente medo.
Sente o mundo grande demais
e as expectativas maiores ainda.
E aos poucos a gente entende:
não é falta de apetite,
é excesso de preocupação.
Não é preguiça,
é esgotamento.
A ansiedade não aparece nos exames de rotina,
mas deixa marcas no corpo
como se tivesse passado com as mãos pesadas.
E eu fico aqui,
tentando reaprender a respirar devagar,
a comer em paz,
a confiar que nem tudo precisa ser resolvido hoje.
Porque o corpo não foi feito
para viver em guerra todos os dias.
Ele só quer descanso.
E um pouco de cuidado
que não venha acompanhado de pressa.
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Autor:
Brunna Keila (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 28 de fevereiro de 2026 00:26
- Categoria: Triste
- Visualizações: 4

Offline)
Comentários1
Perfeito ! O estômago sente as pressões do dia a dia!
Abraços
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