Viver com um narcisista
é aprender a respirar baixo,
como quem mora ao lado de um vulcão
e chama isso de lar.
É medir sílabas,
pisar em ovos invisíveis,
decorar o mapa das explosões
para tentar evitá-las.
É engolir incêndios
com um copo d’água na mão.
Até que um dia
o corpo cansa de ser silêncio
e a voz sai —
não como grito,
mas como último ar.
E então o mundo vira.
Quem suportou vira acusada.
Quem sangrou vira exagero.
Quem reagiu vira louca.
E a culpa veste teu nome
como se sempre tivesse sido teu.
Mas não é.
Loucura é viver em guerra
e chamar isso de amor.
Loucura é apagar-se inteira
para caber no espelho de outro.
Tu não és o descontrole.
Tu és o limite que chegou.
E limite não é histeria —
é sobrevivência aprendendo
a existir.
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Autor:
MAISA NALAPE (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 27 de fevereiro de 2026 21:23
- Comentário do autor sobre o poema: Então que a dor fale em verso — porque às vezes o poema diz o que a boca já não aguenta.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 16
- Usuários favoritos deste poema: Arthur Santos, Jcosta.
- Em coleções: Maisa Nalape.

Offline)
Comentários2
Sim, Viver com uma pessoa narcisista é insuportável.
Gosto da modo poético como isso é denunciado neste poema.
É uma observação muito forte e muito real.
É impressionante como alguns poemas conseguem transformar experiências difíceis em reflexão e consciência.
Eita, não fica contando as favas, pois temos tantas alegrias no mundo pedindo para serem usadas.
Como sempre, uma águia na exploração desse tema.
Bravos poetisa, sem esquecer que amanhã será outro dia......
Ficar bem.
JCOSTA
Muito obrigada, JCOSTA, pelas suas palavras tão bonitas e generosas. É verdade: há tantas alegrias à nossa volta, basta estarmos atentos para as descobrir e saborear. Que amanhã nos traga novos motivos para sorrir e continuar a voar, sempre com esperança e coragem.
Fique também muito bem e que a vida lhe sorria sempre. Um abraço!
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