Viver com um narcisista
é aprender a respirar baixo,
como quem mora ao lado de um vulcão
e chama isso de lar.
É medir sílabas,
pisar em ovos invisíveis,
decorar o mapa das explosões
para tentar evitá-las.
É engolir incêndios
com um copo d’água na mão.
Até que um dia
o corpo cansa de ser silêncio
e a voz sai —
não como grito,
mas como último ar.
E então o mundo vira.
Quem suportou vira acusada.
Quem sangrou vira exagero.
Quem reagiu vira louca.
E a culpa veste teu nome
como se sempre tivesse sido teu.
Mas não é.
Loucura é viver em guerra
e chamar isso de amor.
Loucura é apagar-se inteira
para caber no espelho de outro.
Tu não és o descontrole.
Tu és o limite que chegou.
E limite não é histeria —
é sobrevivência aprendendo
a existir.