A ambulância cortava, rápida, o negrume da auto-estrada.
Não piava, mas ia de luzes acesas, dentro e fora de si.
A auto-estrada estava deserta; a noite, sem estrelas.
E a ambulância seguia, célere, naquele quente Agosto.
Dentro dela, o condutor, dois enfermeiros e o doente,
operário caído de segundo andar em obra de prédio.
E lá seguia a ambulância, com os três homens e o doente,
preso à maca, com correias, por causa do balanço.
A traiçoeira mancha de óleo na estrada surgiu do nada,
a derrapagem foi inevitável e o carro caiu na ribanceira.
E lá continuava o doente a precisar de hospital,
e lá estavam os enfermeiros, agora mortos
e o condutor, também falecido.
Depois, foi o helicóptero a viatura.
O doente salvou-se
e, já curado,
achou que era um homem de sorte.
Os familiares e os amigos, também.
Do livro "Poemas para a hora de Ponta", ed. Cordel de Prata, Lisboa, 2019
-
Autor:
Joaquim Saial (
Offline) - Publicado: 27 de fevereiro de 2026 19:31
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 5
- Em coleções: Estrada.

Offline)
Comentários1
Boa noite poeta! Uma ótima narrativa sobre o cotidiano.
Meus parabéns! Abraço fraterno.
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.