Há uma casa dentro de mim,
portas abertas demais,
janelas quebradas,
paredes que lembram passos que partiram.
Alguns entram e levam tudo,
outros param, sentem o vento dos fantasmas
e recuam, assustados,
como se meus medos tivessem vida própria.
E há um fantasma — ele —
que sussurra nos corredores vazios,
mistura memória e presença,
me ensinando que confiar é perigoso
mas que fechar-se é solitário.
Ainda assim, tento acender luzes,
abrir pequenas janelas,
deixar entrar quem olha sem tocar demais,
sem levar tudo, sem assustar meus cômodos.
E talvez, um dia,
essa casa não seja nem totalmente mal-assombrada,
nem completamente desprotegida,
mas um lar que sabe se guardar
e, ao mesmo tempo, se permitir viver
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Autor:
Jenny Govene (
Offline) - Publicado: 27 de fevereiro de 2026 19:05
- Comentário do autor sobre o poema: Este poema descreve um dos momentos mais importantes da minha vida, um momento em que eu sentia que eu “não pertencia a lugar nenhum”. Um momento em que eu me sentia sozinha no meio de muitos. E eu espero que esse poema chegue a alguém que se sentia da mesma forma que eu, e espero que esse alguém saiba que nunca estará, e que não é o único que se sente perdido, e que tal como eu “um dia, se encontrar”.
- Categoria: Carta
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Vilma Oliveira
- Em coleções: O início.

Offline)
Comentários1
Bravo poetisa! Amei seu poema, muito profundo e intenso.
Meus parabéns! Abraço poético.
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