Há uma casa dentro de mim,
portas abertas demais,
janelas quebradas,
paredes que lembram passos que partiram.
Alguns entram e levam tudo,
outros param, sentem o vento dos fantasmas
e recuam, assustados,
como se meus medos tivessem vida própria.
E há um fantasma — ele —
que sussurra nos corredores vazios,
mistura memória e presença,
me ensinando que confiar é perigoso
mas que fechar-se é solitário.
Ainda assim, tento acender luzes,
abrir pequenas janelas,
deixar entrar quem olha sem tocar demais,
sem levar tudo, sem assustar meus cômodos.
E talvez, um dia,
essa casa não seja nem totalmente mal-assombrada,
nem completamente desprotegida,
mas um lar que sabe se guardar
e, ao mesmo tempo, se permitir viver