Jenny Govene

Casa de Fantasmas

Há uma casa dentro de mim,

portas abertas demais,

janelas quebradas,

paredes que lembram passos que partiram.

Alguns entram e levam tudo,

outros param, sentem o vento dos fantasmas

e recuam, assustados,

como se meus medos tivessem vida própria.

E há um fantasma — ele —

que sussurra nos corredores vazios,

mistura memória e presença,

me ensinando que confiar é perigoso

mas que fechar-se é solitário.

Ainda assim, tento acender luzes,

abrir pequenas janelas,

deixar entrar quem olha sem tocar demais,

sem levar tudo, sem assustar meus cômodos.

E talvez, um dia,

essa casa não seja nem totalmente mal-assombrada,

nem completamente desprotegida,

mas um lar que sabe se guardar

e, ao mesmo tempo, se permitir viver