Eles se gostam como quem divide um cigarro na janela
sabendo que faz mal
mas ainda assim encostando o ombro.
Não é falta de coragem.
É excesso de mundo.
Tem regra, tem distância,
tem aquele “não dá” dito com a voz mais mentirosa do planeta.
E eles concordam, claro.
Dois adultos responsáveis
fazendo a coisa certa
com a maturidade emocional de quem evita olhar dois segundos a mais.
Só que o problema mora nesses dois segundos.
Eles falam de outras pessoas
como se estivessem comentando o clima.
“Ah, tô saindo com alguém.”
“Que bom.”
Que bom nada.
O toque é sempre acidental demais
pra ser acidente.
A risada dura meio segundo além do normal.
E quando o silêncio vem,
ele não é vazio
é pesado, cheio de coisa não dita,
quase pedindo pra ser imprudente.
Mas não pode.
Não pode porque alguém se machuca.
Não pode porque a vida já é complicada.
Não pode porque a logística, o timing, o passado,
a porra toda.
Então eles fazem o que qualquer pessoa sensata faz:
ficam perto.
Perto o suficiente pra doer.
Longe o suficiente pra negar.
E seguem assim,
dois especialistas em autocontrole,
dois atletas olímpicos do “melhor deixar quieto”,
dois apaixonados exemplares
que nunca atravessam a linha.
Só desenham ela no chão
com o pé
e fingem que não estão morrendo de vontade
de apagar.
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Autor:
Gleidson Silva santos (
Offline) - Publicado: 27 de fevereiro de 2026 02:20
- Comentário do autor sobre o poema: Apenas um desabafo.
- Categoria: Amor
- Visualizações: 1

Offline)
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