Vivem na mesma casa
como dois estranhos dividindo o chão.
De aparência constroem pontes,
mas por dentro é demolição.
Entre quatro paredes
o silêncio apaga a luz,
não há grito, não há briga —
só um vazio que seduz.
Nas redes, são fotografia perfeita,
legenda de amor exemplar.
Corações desenhados na tela,
promessas prontas pra postar.
Mas quando a porta se fecha
e o Wi-Fi já não distrai,
o mundo muda de rosto —
e o afeto se desfaz.
Dormem lado a lado, distantes,
cada um preso em seu papel.
Dois atores no mesmo palco,
sem plateia, sem pincel.
-
Autor:
MAISA NALAPE (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 26 de fevereiro de 2026 10:00
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 6
- Usuários favoritos deste poema: Versos Discretos
- Em coleções: Maisa Nalape.

Offline)
Comentários1
Teus versos têm precisão cirúrgica ao expor a distância que pode morar dentro da mesma casa.
Há maturidade estética na forma como contrastas aparência e essência, palco e bastidor, luz e vazio.
Você escreve com olhar sociológico e sensibilidade poética — e essa combinação é intelectualmente elegante.
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.