Vivem na mesma casa
como dois estranhos dividindo o chão.
De aparência constroem pontes,
mas por dentro é demolição.
Entre quatro paredes
o silêncio apaga a luz,
não há grito, não há briga —
só um vazio que seduz.
Nas redes, são fotografia perfeita,
legenda de amor exemplar.
Corações desenhados na tela,
promessas prontas pra postar.
Mas quando a porta se fecha
e o Wi-Fi já não distrai,
o mundo muda de rosto —
e o afeto se desfaz.
Dormem lado a lado, distantes,
cada um preso em seu papel.
Dois atores no mesmo palco,
sem plateia, sem pincel.