Eis que, dos rastros, ecoa o grito.
Não um grito de flagelo,
mas de desmedida aurora –
grito de quem se encontra despido
no centro do caos,
no centro do corpo e do cosmos.
Ergo a voz contra as engrenagens da sociedade,
sou ruína e raiz,
espectro e centelha,
flor brotando do fundo da lama.
A liberdade – não promessa, mas ato:
pular o abismo de si e ouvir,
no silêncio da queda,
a ascensão impossível.
Da dissolução emerge a unidade:
sou corpo,
sou ausência,
sou o mundo,
e, no estertor das estrelas mortas,
invento um nome novo
– um nome de ninguém e de todos –
Gritado no reverso do universo.
Realidade.
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Autor:
Noétrico (
Offline) - Publicado: 25 de fevereiro de 2026 12:10
- Comentário do autor sobre o poema: Aqui eu represento o instante final, onde aceito minha própria fratura como ponto de origem. Ele nasce do reconhecimento de que ruína e potência ocupam o mesmo lugar dentro de mim, e que a travessia exige atravessar o próprio abismo (a mente) em vez de contorná-lo. Ao escrever, compreendo que a liberdade surge como gesto vivido, sustentado no meio do caos que habita o corpo e o mundo; a existência, realidade. A invenção desse nome novo marca a passagem de fragmento para unidade operante, uma forma de existir que se afirma mesmo entre restos, silêncio e estrelas extintas (passado).
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3

Offline)
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