Eis que, dos rastros, ecoa o grito.
Não um grito de flagelo,
mas de desmedida aurora –
grito de quem se encontra despido
no centro do caos,
no centro do corpo e do cosmos.
Ergo a voz contra as engrenagens da sociedade,
sou ruína e raiz,
espectro e centelha,
flor brotando do fundo da lama.
A liberdade – não promessa, mas ato:
pular o abismo de si e ouvir,
no silêncio da queda,
a ascensão impossível.
Da dissolução emerge a unidade:
sou corpo,
sou ausência,
sou o mundo,
e, no estertor das estrelas mortas,
invento um nome novo
– um nome de ninguém e de todos –
Gritado no reverso do universo.
Realidade.