Reconstruída
de fragmentos diversos,
retalhos de espécies
que em mim aprenderam a respirar.
Barrada por minhas próprias vozes,
alucinações que me vigiam
e, em todo o tempo,
apontam o que há de pior
como se fosse sentença.
Subexisto —
em um contexto que faz sentido
apenas para mim,
mas que se dissolve
em sentidos sem sentido.
O vazio coabita meu peito
como morador antigo.
Há momentos de satisfação,
pequenos lampejos,
mas nenhum deles permanece
o bastante para criar morada.
Olho-me de fora.
Estranha e íntima.
Contraditória e consciente.
E, mesmo assim,
entre ruídos e rupturas,
escolho —
continuar a existir.
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Autor:
Eliete Souza (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 24 de fevereiro de 2026 17:40
- Comentário do autor sobre o poema: Escrito a partir do atendimento de mulheres em sofrimento psíquico.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 5

Offline)
Comentários1
Um texto verdadeiro e poético!
Abraços a poeta!
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