Reconstruída
de fragmentos diversos,
retalhos de espécies
que em mim aprenderam a respirar.
Barrada por minhas próprias vozes,
alucinações que me vigiam
e, em todo o tempo,
apontam o que há de pior
como se fosse sentença.
Subexisto —
em um contexto que faz sentido
apenas para mim,
mas que se dissolve
em sentidos sem sentido.
O vazio coabita meu peito
como morador antigo.
Há momentos de satisfação,
pequenos lampejos,
mas nenhum deles permanece
o bastante para criar morada.
Olho-me de fora.
Estranha e íntima.
Contraditória e consciente.
E, mesmo assim,
entre ruídos e rupturas,
escolho —
continuar a existir.