IV - Mente

Noétrico

No espelho trincado do ser,
interrogo-me:
“Em que antiquíssima fissura
perdi o contorno do meu nome?”

A autocrítica é maré ácida
que invade todas as casas,
roendo suas vigas;
então são desfeitas
as muralhas do orgulho.

Não me salvo,
não me escondo,
não teço desculpas:
sou meu próprio algoz,
mas também o único capaz
de resistir à usina de tais ilusões.

Tento reconstituir, em meu corpo-ruína,
alguma bússola,
algum instante em que o verbo
não seja só recuo,
mas verbo —
grito,
verbo travessia.

  • Autor: Noétrico (Offline Offline)
  • Publicado: 24 de fevereiro de 2026 08:32
  • Comentário do autor sobre o poema: Este poema é pra se perder, é pra batalhar por sentido, é correr atrás da mente, nosso centro de tomada de decisões, nossa ponte... é ter a consciência que olhar para dentro de si sem disfarces, exige aceitar que a mesma mente que corrói também orienta.
  • Categoria: Surrealista
  • Visualizações: 2


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