No espelho trincado do ser,
interrogo-me:
“Em que antiquíssima fissura
perdi o contorno do meu nome?”
A autocrítica é maré ácida
que invade todas as casas,
roendo suas vigas;
então são desfeitas
as muralhas do orgulho.
Não me salvo,
não me escondo,
não teço desculpas:
sou meu próprio algoz,
mas também o único capaz
de resistir à usina de tais ilusões.
Tento reconstituir, em meu corpo-ruína,
alguma bússola,
algum instante em que o verbo
não seja só recuo,
mas verbo —
grito,
verbo travessia.
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Autor:
Noétrico (
Offline) - Publicado: 24 de fevereiro de 2026 08:32
- Comentário do autor sobre o poema: Este poema é pra se perder, é pra batalhar por sentido, é correr atrás da mente, nosso centro de tomada de decisões, nossa ponte... é ter a consciência que olhar para dentro de si sem disfarces, exige aceitar que a mesma mente que corrói também orienta.
- Categoria: Surrealista
- Visualizações: 2

Offline)
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