No espelho trincado do ser,
interrogo-me:
“Em que antiquíssima fissura
perdi o contorno do meu nome?”
A autocrítica é maré ácida
que invade todas as casas,
roendo suas vigas;
então são desfeitas
as muralhas do orgulho.
Não me salvo,
não me escondo,
não teço desculpas:
sou meu próprio algoz,
mas também o único capaz
de resistir à usina de tais ilusões.
Tento reconstituir, em meu corpo-ruína,
alguma bússola,
algum instante em que o verbo
não seja só recuo,
mas verbo —
grito,
verbo travessia.