O Jardim das Nossas Projeções

Jairo Cícero

 
 
 
Plantei em meu peito um jardim de cristal, 
Com formas e cores de um sonho ideal. 
Deixei que a esperança florisse sem fim, 
Em rostos e falas que eu via em mim.
 
 
Criei moldes perfeitos, com traços de luz, 
Para almas que a mente, crente, traduz. 
Em laços que parecem eternos, sem nó, 
Vi mais do que havia, um brilho, um farol.
 
 
Mas o tempo, esse mestre, que tudo refaz, 
Soprou na vidraça a verdade fugaz. 
A névoa se ergueu, e os traços queridos, 
Mostraram facetas, segredos escondidos.
 
 
A dor do desengano, o espinho a ferir, 
Quando a forma que amei começa a ruir. 
O eco do "usado", que insiste em pesar, 
Um mapa rasgado do que quis acreditar.
 
 
Não há, no lamento, consolo ou vigor, 
Nem no vitimismo, há flor ou fulgor. 
É preciso a força de ver e aceitar, 
Que o espelho refletia o que eu quis enxergar.
 
 
A queda da farsa, por mais que machuque, 
Liberta e ensina, um novo embasamento. 
É a mão que discerne, que aponta o real, 
E a alma que aprende a se erguer, afinal.
 
 
Pois cada ilusão que o vento desfaz, 
Abre espaço para o que é puro e veraz. 
Um coração mais forte, com olhos mais francos, 
Construindo um futuro em pilares mais brancos.
 
 
 
  • Autor: Jairo Cícero (Offline Offline)
  • Publicado: 23 de fevereiro de 2026 16:20
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 2


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