Plantei em meu peito um jardim de cristal, Com formas e cores de um sonho ideal. Deixei que a esperança florisse sem fim, Em rostos e falas que eu via em mim.
Criei moldes perfeitos, com traços de luz, Para almas que a mente, crente, traduz. Em laços que parecem eternos, sem nó, Vi mais do que havia, um brilho, um farol.
Mas o tempo, esse mestre, que tudo refaz, Soprou na vidraça a verdade fugaz. A névoa se ergueu, e os traços queridos, Mostraram facetas, segredos escondidos.
A dor do desengano, o espinho a ferir, Quando a forma que amei começa a ruir. O eco do \"usado\", que insiste em pesar, Um mapa rasgado do que quis acreditar.
Não há, no lamento, consolo ou vigor, Nem no vitimismo, há flor ou fulgor. É preciso a força de ver e aceitar, Que o espelho refletia o que eu quis enxergar.
A queda da farsa, por mais que machuque, Liberta e ensina, um novo embasamento. É a mão que discerne, que aponta o real, E a alma que aprende a se erguer, afinal.
Pois cada ilusão que o vento desfaz, Abre espaço para o que é puro e veraz. Um coração mais forte, com olhos mais francos, Construindo um futuro em pilares mais brancos.